GREAT AMERICAN DREAM OR GREAT AMERICAN DISASTER

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Mário Máximo
Escritor e Gestor de Assuntos da Lusofonia

 

Tudo tem um começo. Em 1498 Cristóvão Colombo chegava à América do Norte convencido que dobrara o mundo e chegara às Índias. Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobria Terras de Vera Cruz, mais tarde designadas por Brasil.
Mas seria um terceiro navio a dar início a uma história que levaria à criação de um império como outro hoje (ainda) não há. Refiro-me ao navio Mayflower que, em 1620, transportou 102 passageiros, quase todos pertencentes ao ideário dos puritanos separatistas, do porto de Southampton, na Inglaterra, para o chamado Novo Mundo.
Achavam eles que procuravam a liberdade distanciando-se do poder excessivo da Igreja Anglicana. Sim, foi de navio que os Estados Unidos da América descobriram a sua pré-história…
Reza a história que derivado a um conjunto de problemas no tal Mayflower, os passageiros tiveram de regressar duas vezes ao porto de partida pois houve necessidade de efetuar consertos. Porém, havia um segundo navio: o Speedwell. A história não quis que o Speedwell zarpasse. E houve vinte passageiros que desistiram da viagem para o outro lado do atlântico. Sem o poderem saber, diziam adeus à história.

Só à terceira tentativa o Mayflower saíu. Desta feita saiu do porto de Plymouth, a 6 de setembro de 1620. Chegariam a 11 de novembro, a Cape Cod (tradução à letra: Cabo Bacalhau).
Hoje, tal cabo pertence ao estado de Massachusetts. Os 102 passageiros chegados a Cape Cod foram fundadores da cidade de Plymouth. Cidade que se tornaria a capital da Colónia de Plymouth. Os Estados Unidos da América estavam em embrião.
O resto é o que sabemos. Hoje, o mais poderoso estado do mundo são os Estados Unidos da América e tudo teve início naquela viagem efetuada no ano de 1620.
O conceito de liberdade foi criando raízes.
E os Estados Unidos da América assumiram o ‘diminutivo’ América. As pessoas diziam: “Eu vou para a América” e todos sabiam que não era nem a América central, nem a do sul. Era aquele pedaço da América do Norte… onde se fazia dinheiro. Ir para a América era como que dizer: eu vou para a liberdade e vou construir fortuna. Dos portos dos Açores partiram muitas embarcações frágeis e algumas lá conseguiram chegar ao Novo Mundo.
O êxito empresarial e financeiro associou-se à expressão “American Dream”. Muitas vezes referida de modo irracional. Fora da América havia quem pensasse que lá chegando logo encontraria rumo e fortuna. E o facto é que muito encontraram uma coisa e outra. Os outros, sofreram como em qualquer parte do mundo de então se sofria. De então… e de hoje…
No século XX, os Estados Unidos da América eram o exemplo ambivalente da liberdade e do exercício imperialista do poder económico e político. Exportaram a ideia de liberdade de tal modo que se transformou num sonho onde tudo cabia (mesmo o mais absurdo). Mas também se excederam de modo brutal: sobretudo com o lançamento das bombas sobre Hiroshima e Nagasaqui e com o intervencionismo tutelar nos países da América Latina. Nos finais do século XX, as crises internacionais que geraram duas intervenções no Iraque tiveram o selo dirigista e imperialista dos Estados Unidos da América.

No primeiro ano do século XXI aconteceu o 11 de setembro. E o paradigma mundial mudou: o terrorismo exercido por extremistas islâmicos sobre os Estados Unidos e sobre diversas capitais europeias mudaram o mapa estratégico da civilização ocidental. Até que surgiu o fenómeno Donald Trump…
Houve em Portugal (não sei se ainda existe) uma rede de restaurantes chamada The Great American Disaster. Mas o mundo sempre pensava, ao referir a palavra América na simbólica estátua da liberdade e no tal sonho americano. Sonho, sobretudo, já atrás o referi, de realização económica.
Na atualidade, muito menos cidadãos do mundo olharão para os Estados Unidos da América e associarão, de imediato, à ideia de American Dream.
De facto, o mundo balança, nos dias de hoje, entre essas duas frases: Great American Disaster e Great American Dream. Qual delas fará mais sentido? Ou fazem as duas?

 

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