Entrevista a Filipe Neves Ribeiro, CEO Grupo Lenitudes

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Como nasceu o projeto Lenitudes?
O projeto Lenitudes nasceu em 2008 com a perspectiva de termos um papel relevante na área do tratamento oncológico não só em Portugal mas também com outra abrangência geográfica.
O projeto começou por ser uma unidade de radioterapia e depois fomos evoluindo para termos no nosso portfólio de serviços unidades que permitam realizar um diagnóstico preciso desde a imagiologia à medicina molecular passando pela genética e, mais recentemente, acabámos por construir de raiz uma unidade que é a Lenitudes Medical Center, situada em Santa Maria da Feira, onde reunimos todas estas competências e proporcionamos aos nossos doentes um serviço integrado.
As pessoas recorrem aos nossos serviços, fazem uma consulta e, se for necessário fazer um diagnóstico muito preciso sobre uma determinada suspeita, temos a capacidade num espaço de 24 a 48 horas de realizar todo um conjunto de exames e propor ao doente a terapia adequada para o seu problema em concreto.
O nosso objetivo foi sempre o de ter um projeto que faça a diferença na vida das pessoas que nos procuram.

Quais são as condições tecnológicas e de inovação que permitem à Lenitudes ter alcançado o patamar de excelência que agora ocupa no diagnóstico e tratamento oncológico?
Desde sempre, quando definimos o investimento na Lenitudes Medical Center, planeámos a instalação de equipamentos que fossem os mais avançados e que nos permitissem fazer um diagnóstico mais preciso e um tratamento oncológico que pudesse ser o melhor que existisse.
Para ter uma ideia, nesta unidade, temos tratamentos oncológicos por radioterapia em que os equipamentos que dispomos permitem que haja uma concentração de 99% da dose de radiação apenas sobre o tumor, protegendo os tecidos saudáveis e dessa forma reduzindo muito os efeitos secundários que um doente habitualmente sofre durante um tratamento oncológico,
Com esta tecnologia isto tornou-se possível. E também acessível, porque temos acordos com a maioria das seguradoras presentes em Portugal. E para o mercado internacional somos bastante competitivos porque, para além dos preços comparativos em tratamentos desta natureza, também acabamos por adequar aquilo que é a disponibilidade do doente em vir ao nosso encontro. Ou seja, também nos ajustamos à sua disponibilidade de tempo, planeando com antecedência o conjunto de atividades a realizar e de profissionais que estarão disponíveis nessa data específica.
Além disso, a nossa unidade foi formatada para criar uma experiencia o mais agradável possível, de modo a que as pessoas se esqueçam que estão num hospital.

Existe um perfil para este tipo específico de doente?
Os nossos doentes procuram cuidados diferenciados. São doentes que tiveram contacto com outras equipas medicas e que procuram uma segunda opinião com a garantia de que vamos conseguir dar-lhes uma resposta definitiva, confirmando ou não o diagnóstico anterior.
No que respeita aos doentes portugueses nós não trabalhamos apenas para os doentes que nos chegam diretamente. Também colaboramos com outras unidades de saúde, nomeadamente com o sector público, que por vezes infelizmente não dispõem dos mesmos meios que nós. E colocamo-nos à sua disposição para ajudar, tanto na questão do diagnóstico como do tratamento, porque é esse também o nosso propósito.
Convém também referir que existem pequenas unidades especificas dispersas pelo pais e pelo mundo que tem outras especialidade que não a oncologia, mas que têm uma proximidade com os doentes que fazem com que estes tenham um nível de confiança naqueles médicos específicos e temos vindo a abrir colaborações muito interessantes com outras unidades de saúde com especialidades como a urologia, ou a genecologia por exemplo e nós colaboramos de forma remota com essas unidades, dando o nosso parecer especializado no processo de diagnóstico.

A Lenitudes posiciona-se como uma referência nacional na investigação clinica. E a nível internacional, quais são as vossas ambições?
Nós somos parte de uma rede de conhecimento e todos os nossos profissionais estão habitualmente envolvidos em grupos de estudos de doenças muito concretas, com os melhores especialistas internacionais. E por isso acabamos por ter um outro tipo de alcance recebendo doentes internacionais, desde a América Latina à América do Norte passando por África, que vêm especificamente à nossa procura para aqui serem aconselhados e terem propostas terapêuticas para a sua condição de saúde.
Portanto, fazendo parte destas redes de conhecimento, temos sempre algo mais para aportar, seja pela rede em que estamos envolvidos ou pelo conhecimento que nós próprios temos.
Cada caso é um caso e graças a esta rede de conhecimento internacional sabemos que podemos proporcionar a melhor resposta possível em qualquer parte do mundo.

A nível estatístico qual é a taxa de sucesso tanto ao nível da investigação e do diagnóstico como ao nível dos tratamentos?
O que lhe posso dizer é que cada vez mais as doenças oncológicas não são doenças que se podem considerar absolutamente fatais.
O que sobretudo é determinante é o momento em que se consegue realizar o diagnóstico, sendo fundamental a vigilância e o acompanhamento médico. Se o diagnóstico for feito a tempo, para uma grande maioria dos problemas oncológicos, temos hoje a capacidade para estabilizar a condição de saúde do doente. É claro que existem ainda situação para as quais não há abordagem possível mas esperamos que nos próximos anos surjam abordagens mais consistentes.
No que diz respeito, por exemplo, ao cancro da mama, da próstata ou do pulmão, já dispomos de abordagens que dão muito mais esperanças de vida do que há 15 anos atrás.

Mudando um pouco de tema, como entende o valor da vossa presença no Fórum Bizfeira que é este ano focado nos EUA?
É importante a dois níveis. Um deles está relacionado com os relacionamentos em torno da rede de conhecimento. Os melhores especialistas não estão apenas situados na Europa ou nos EUA. Existe nesta área um efeito muito superior ao simples somatório dos especialistas por si só quando falamos de uma rede mundial. Por isso é para nós uma grande vantagem poder alargar essa rede de conhecimento em todas as oportunidades que nos surjam.
Outra vantagem tem a ver com a nossa intervenção. Tendo nós esta capacidade tecnológica, aliada ao conhecimento diferenciado, começamos a ter mais procura porque existe de facto a perceção de que aqui se vai encontrar a melhor resposta clinica. E nesse sentido a nossa exposição nestes fóruns aumenta a perceção do público em relação às nossas capacidades.

Para além dos protocolos médicos nacionais e internacionais a Lenitudes também dispõe de serviços adicionais personalizados?
Sim. Procuramos responder a outro tipo de necessidades de quem nos procura. Por exemplo, há doentes que vêm com as famílias e nós tentamos perceber se já asseguraram o alojamento, os transportes ou se garantiram algum tipo de ocupação do tempo para os familiares. Procuramos que a pessoa se ocupe de outros temas que não seja apenas a questão da doença.

E em relação ao mercado nacional qual é a vossa abrangência em termos de área de atuação?
Temos uma unidade de radioterapia em Évora, temos unidades de medicina molecular no Porto e em Braga e temos unidades de imagiologia no Porto e em Aveiro. Depois temos esta unidade aqui em Santa Maria da Feira que reúne todas essas competências e que acrescenta um conjunto de outras especialidades e a possibilidade de fazer tratamentos de quimioterapia, hormonoterapia, imunoterapia e cirurgia.
Deixe-me também dizer que temos também outras áreas de intervenção para além da oncologia, nomeadamente ao nível das doenças neuro degenerativas, como Parkinson e Alzheimer.

No vosso Website fala-se bastante no conceito de Turismo Médico. Em que consiste este conceito?
Nós temos pontos de contacto com clínicas nacionais e internacionais que nos enviam doentes que, por vezes, têm de fazer tratamentos diários ao longo de períodos de 30 dias, por exemplo.
E nós procuramos encontrar uma solução que permita que, durantes esse tempo em que eles cá estão, não tenham percorrer diariamente 200 ou 300 quilómetros e em que existam soluções locais. E nos ajudamos a encontrar essas soluções, caso o doente o pretenda.
No caso dos doentes internacionais a nossa intervenção vai um pouco mais além. Uma vez que existem doentes que não têm a possibilidade de realizar tratamentos de longa duração em Portugal, nós procuramos encontrar nos seus países, junto das suas áreas de residência, centros de saúde que nós entendamos que lhes possam dar um tratamento de acordo com as exigências que nos próprios estabelecemos aqui.

E a vinda desses doentes nacionais ou internacionais acabam sempre por gerar algum impacto na economia local. Para além disso que iniciativas têm tomado para apoiar e aproximar-se desta comunidade?
Nós temos um forte relacionamento com a Camara Municipal e temos uma forte rede de contactos com parceiros locais com outras áreas de atividade para além da saúde e que podem fornecer respostas para as necessidades dos doentes, ao nível da hotelaria, do turismo de lazer ou das termas, por exemplo.
Sentimos que em Santa Maria da Feira existe um ecossistema muito aberto e com muita disponibilidade para colaborar, disponibilizando muitas possibilidades para quem nos visita passar o seu tempo para além dos tratamentos que venham cá fazer. E não nos limitamos apenas ao Município mas também ao Porto e a Aveiro por exemplo.

 

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