Extreme Sailing Series: os Fórmula 1 da Vela

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Ana Lima
CEO Ana Lima Comunicação

Se gosta, de uma forma geral de desporto, de aventura, da incerteza de quem vai ganhar, não pode deixar de acompanhar as regatas dos Extreme Sailing Series um pouco por todo o mundo e também em águas portuguesas – Funchal, Porto e Cascais.
Cada embarcação leva a bordo uma equipa de cinco velejadores, altamente treinados e especializados a que se pode juntar um operador de câmera, fotógrafo ou simplesmente um convidado com nervos de aço.
A competição Extreme Sailing Series surgiu em 2007, já tocou cidades como Amesterdão, Munique, Marselha, Istambul, Sydney, Singapura, Funchal e Porto, em 2012. Este ano os velejadores competiram em Omã, China, País de Gales, Alemanha e Portugal, o único país que recebeu duas provas em 2016, daquelas que são consideradas pelos especialistas como as regatas mais desafiantes do mundo.


Em Lisboa estiveram presentes nove embarcações e contou pela primeira vez com uma equipa portuguesa. A organização desta competição tem muitas semelhanças com a da Formula 1, ao longo de quatro dias, sempre numa cidade diferente do planeta são cumpridas regatas e cada ato (nome técnico para “etapa”) desde que haja vento, pode cumprir um elevado número de desafios.
Nesta competição tudo é muito ponderado e há que utilizar os ventos e as correntes da melhor forma, com as técnicas de aerodinâmica que fazem o barco ter mais velocidade.
O número de regatas de cada dia depende das condições de cada plano de água e dos ventos. Podemos dar como exemplo as 18 regatas realizadas em Qingdao e as 29 em Cardiff, sempre nos mesmos quatro dias. Na prova da Madeira a falta de vento ditou que apenas se cumprissem 14 regatas.

O Catamarã G32
Tendo como objetivo encontrar a melhor equipa de velejadores e numa ótica de verdade desportiva, um teste às capacidades técnicas e táticas dos velejadores, todos os catamarãs são exatamente iguais. Todas as embarcações são construídas com os mesmos materiais, têm a mesma montagem. A única diferença é a capacidade de cada equipa para levar a bom porto o seu barco.
Estas embarcações podem atingir uma velocidade de 75 km/h. Desenhados por Martin Fischer têm a característica de, em competição, a maior parte das vezes o único contacto que têm com a água são os “foils”, em forma de “J”, o resto do catamarã plana sobre o plano de água, eliminando a tração e aumentando ainda mais a velocidade.
Este catamarã G32, de duplo casco com os patilhões basculantes em forma de L contam com o mesmo efeito que no ar os “flaps” da asa de um avião. Ao planar, diminuem o atrito o que vai aumentando a velocidade.
A equipa de competição, como já referimos é formada por cinco pessoas, cada uma com a sua função a bordo, além do convidado que basicamente só observa o que se está a passar. Todos têm que estar muito coordenados.
É fundamental saber as normas de segurança, aliás muito apertadas, que contam com um colete salva-vidas vermelho para o convidado – para se distinguir da tripulação, caso caia á água – capacete, luvas e calças impermeáveis.
Um dos pontos fundamentais é sem dúvida a extrema coordenação necessária entre toda a equipa para que nada falhe. As velas sobem e descem (caçam-se) os cabos são esticados ou soltos os velejadores correm de um lado para o outro entre os dois cascos num ritmo alucinante.

Entre as seis equipas que este ano competiram em Cascais, numa organização do Clube Naval, incluía-se uma formação portuguesa com wild-card.
Liderada pelo velejador profissional Luís Brito que conhece as clássicas condições de Cascais, com fortes brisas, mas com súbitas mudanças de direção, o Team Portugal sabia que tinha um forte desafio pela frente. “O vento Norte é irregular e altera a pressão constantemente. Mesmo conhecendo bem a área, o conhecimento local não fará a diferença neste tipo de competição; as outras equipas têm um nível muito elevado”, admitiu Brito.
Contudo, bem preparado, Brito – que que já navegou com a equipa Spanish Impulse no Act 3, em Barcelona, e conta com uma boa experiência nos GC32 – afirmou que “Não somos tão forte fisicamente como as outras equipas e também somos um pouco mais leves. Tivemos os mesmos problemas no Spanish Impulse, mas velejámos de forma inteligente e simples, o que nos permitiu alcançar um bom resultado. Não há segredos: vamos implementar a mesma estratégia no Team Portugal.”


Brito conta na sua equipa com velejadores de Lisboa e do Algarve: Bernardo Loureiro, João Assoreira e o bicampeão nacional na classe laser, Henrique Brites. A tripulação portuguesa foi reforçada também com o velejador britânico Adam Piggott, que trouxe consigo o conhecimento dos desafios colocados pelas Series, devido a participações anteriores no circuito.
Muito satisfeito por velejar novamente sob bandeira portuguesa, o skipper queria deixar o seu país orgulhoso: “É uma grande sensação velejar novamente em casa. Há já algum tempo que não navegava em Portugal e, ainda há mais, pelo meu país. Estou muito ansioso.”
A competição em Cascais arrancou com duas tripulações empatadas com 33 pontos cada, o que levou a que todas as atenções estivessem concentradas no Alinghi e SAP Extreme Sailing Team. Os dois rivais Alinghi e SAP têm sempre, táticas diferentes, por exemplo, os suiços estão sempre muito focados em descansar antes da competição.
Ambas as equipas, contaram com portugueses nas suas equipas de terra (João Cabeçadas no Alinghi e Renato Conde na SAP Extreme Sailing Team), o que leva a que os velejadores se baseiem nos conhecimentos locais quando planeiam as suas estratégias na água.

Os Bons Ventos de Cascais
Conhecido mundialmente como um centro de vela de excelência, Cascais conta com uma brisa marcante. Situada na ponta ocidental de Portugal oferece às equipas uma variedade de condições atmosféricas, típicas do Oceano Atlântico, para navegarem.
As Extreme Sailing Series integram o projeto Sailors for the Sea, projecto que une os velejadores na proteção dos oceanos e promoção da sustentabilidade. As Series estão empenhadas no reconhecimento por parte da Clean Regattas, a única entidade mundial que certifica eventos náuticos.
Nesta competição, na 10ª das 28 regatas cumpridas nos quatro dias do circuito de Cascais da Extreme Sailing Series, o SAP Extreme largou absolutamente disparado e bateu o recorde, velejando a 36,4 nós (67,4 km/hora), com um ângulo perfeito para o vento, mar calmo e rajadas a atingirem os 27 nós (50 km/hora), o catamarã continuou a aumentar de velocidade, atingindo uns impensáveis 37,9 nós o equivalente a 70,19 km/hora.

Classificaçao Geral Flying Phantom Series 2018
Lugar / Equipa / Pontos
1.º Team France Jeune (FRA) 60 pontos
2.º Idreva Zephyr Foiling (FRA) 56 pts
3.º Culture Foil (FRA) 53 pts
4.º UON (POR) 45 pts
5.º Flying Frogs (FRA) 44 pts
6.º Masterlan (CZE) 39 pts
7.º Red Bull Sailing Team (AUT) 36 pts
8.º EVO Visian ICL (GER) 28 pts
9.º Team France Jeune 2 (FRA) 17 pts
10.º Pegasius Project (FRA) 16 pts
11.º Team France Jeune 3 (FRA) 14 pts
12.º Surikat Coordination (FRA) 11 pts
13.º Cup Legend (FRA) 10

 

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