Entrevista a Miguel Gonçalves do Grupo Accor

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No âmbito do SENCON 2018, a Diplomatic Magazine esteve em Dakar, no Senegal, onde entrevistou o Director Geral do Grupo Accor para a África Subsariana e o Oceano Índico.

Há quanto tempo está no Sengal
Cheguei cá há quatro anos. Antes estive na República Dominicana, mas sou de Viana do Castelo.

O que motivou a vinda para o Senegal?
Foi uma continuação do meu crescimento profissional. Faço parte do grupo Accor, um grupo hoteleiro europeu e já estou neste grupo há quase 20 anos e foi um grupo que foi crescendo e depois de sete anos na República Dominicana como director financeiro, propuseram-me vir para Dakar ser o director geral da Accor em África Subsariana e Oceano Índico e acumular funções de director financeiro.

A transição para o Senegal foi fácil?
Sim, já que sendo de Viana estou habituado ao mar. Da República Dominicana tinha também o sol. E aqui encontrei o mar, o sol e alguma cultura um pouco africana nas pessoas, o que facilitou a transição. O que é diferente é a visão das coisas. Nas Caraíbas há uma visão muito americana e aqui em África há uma visão muito mais europeia.

Sentiu-se bem recebido no país?
Sim, uma pessoa sente-se bem recebida e acolhida no país. Não há um sentimento de distância e desconfiança com as pessoas e por isso, fui bem recebido.

O grupo estabeleceu-se no Senegal em que ano?
Esta unidade foi em 1973, há mais de 44 anos. E o grupo em África está cá há ainda mais tempo. E mesmo em períodos mais difíceis, situações de guerra, o grupo manteve-se, mais nos países francófonos.

Essa história ajuda, certamente, o grupo a conseguir estabelecer-se noutros mercados do país.
Sim, claro, é mais fácil porque já ouviram sempre uma referência de países vizinhos. E sendo um grupo bastante grande e forte, acaba sempre por ser mais fácil entrar em alguns países, mesmo com alguns dos países geopolíticos.

E conhece outros portugueses a viver em Dakar?
Sim, conheço de actividades feitas na embaixada portuguesa e de contactos que fui criando desde que aqui cheguei.

Sente que a Embaixada dá o apoio necessário à comunidade portuguesa?
Sim, sim. Eu sou muito apologista de haver encontros que a embaixada deve promover, como as comemorações e também sou apologista de que seja a própria comunidade a promover os encontros.
Não podemos ficar só à espera que a Embaixada, ou o Embaixador, nos convoque, que organize reuniões, que organize diferentes actividades para nos encontrarmos. Tirando este facto, e como a minha experiência pessoal com a Embaixada de Portugal, tem sido positiva. Tem sido bastante receptiva, quer seja pelo Senhor Embaixador, quer seja com as outras pessoas que trabalham na Embaixada.

E há essa vontade de congregação dos Portugueses, que estão no Senegal?
Além da embaixada nem por isso. Eu tenho contacto com algumas pessoas, como o Gonçalo Terenas. Há outras pessoas portuguesas que estão cá e com quem tento manter algum contacto, mas não há um encontro de portugueses sistemático.

E considera que há boas relações entre empresas privadas de Dakar e empresas Portuguesas, ou mesmo estatais?
Eu não estou aqui necessariamente como empresa portuguesa, mas daquilo que percebo e que consigo entender do mercado eu acho que sim, acho que há bom contacto, um bom relacionamento. E daquilo que eu tenho entendido, as empresas portuguesas têm sido bastante bem recebidas. Tem sido bastante fácil a relação com as empresas nacionais.

Gostava de continuar no Senegal?
Na empresa onde eu estou não é suposto ficarmos muitos anos no mesmo país, mas depende de vários factores. Mas por norma são entre quatro e sete anos e depois um salto para outro país ou para outra região dentro do mesmo país.

O que o atrai mais na vida no Senegal?
Primeiro que tudo, as pessoas. É bastante fácil trabalhar com os senegaleses e com os africanos em geral. Depois há o clima, obviamente. Temos 365 dias de sol, o mar à porta… E é a qualidade de vida que ainda se consegue ter, apesar de Dakar ser uma cidade cara para viver, ainda conseguimos ter acesso a certos serviços que facilitam muito a vida. Como, por exemplo, ter uma pessoa em casa a ocupar-se da casa, das crianças. Aqui não é um luxo e em Portugal seria um verdadeiro luxo.

E há diferenciação entre o Senegal e restantes países africanos?
Dentro dos países do continente, ou da África subsariana, se quisermos limitar mais um bocado, o Senegal é relativamente seguro. Não temos problemas de segurança e terrorismo, não há mais assaltos em Dakar do que em outras cidades europeias, por isso é bastante agradável viver aqui. Mas claro que não existem ainda todos os serviços e infraestruturas para estar bem aqui. Não há parques, nem jardins, mas não é que nos sintamos numa prisão ou que queiramos ir embora ao fim de um ano. Além disso, estamos a quatro horas de Lisboa e é bastante fácil lá chegar. Uma pessoa sai daqui às duas da manhã e às 9h estou a tomar café no Porto.

 

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