Agostinho da Silva. Universidade para a Universalidade

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João Rodil
Historiador

Agostinho da Silva (1906 – 1994) é uma das mais emblemáticas figuras da cultura portuguesa. E as razões da sua grandeza são muitas. Professor, criador de Universidades e Centros de Estudo, filólogo, filósofo e poeta, foi sobretudo um homem que rompeu barreiras, estéticas e sociais; que criou novos paradigmas e que trouxe, a Portugal e ao Mundo, uma nova utopia, uma nova capacidade de sonhar.
Todos os que foram tocados, de alguma maneira, pelos seus ensinamentos e imensa sabedoria, jamais ficaram indiferentes. Porque o lastro do seu pensamento universalista, ecuménico e messiânico foi capaz de apaixonar até os espíritos mais empedernidos. Hoje, é certamente um dos filósofos mais estudados e debatidos em todo o mundo académico.
George Agostinho Batista da Silva, de seu nome completo, nasceu no Porto a 13 de Fevereiro de 1906, posto que muito novo fosse com a família para Barca d’Alva, onde passou a sua infância. Voltou à cidade para fazer os seus estudos, onde se licenciou em Filologia Clássica na faculdade de Letras do Porto, com vinte valores. Um ano mais tarde, e apenas com vinte e três anos de idade, doutorou-se com louvor, defendendo a dissertação a que deu o título de “O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas”.
Em 1931, parte para Paris como bolseiro da Sorbonne e estuda ainda no Collège de France. Começa a sua carreira de docente no Liceu de Aveiro, mas em 1935 é demitido do ensino por Salazar, já que se havia recusado a assinar a chamada Lei Cabral. Consegue uma bolsa do governo espanhol e vai para Madrid estudar no Centro de Estudos Históricos.


Regressado a Portugal, é preso pela polícia política em 1943. Assim que é libertado, parte numa viagem que o levará ao Uruguai, Argentina e Brasil, onde se fixa em 1947. É no Brasil que vai expandir a sua visão pedagógica, primeiro no Rio de Janeiro onde trabalho no Instituto Oswaldo Cruz e ensina na Faculdade Fluminense de Filosofia. No início da década de 50, vai leccionar para João Pessoa, em Pernambuco, na U. Federal da Paraíba. Funda a Universidade de Santa Catarina em Florianópolis, cria o Centro de Estudos Afro-Orientais e dá aulas de Filosofia do teatro na Universidade da Baía. Em 1961, é nomeado assessor do Presidente Jânio Quadros e participa na criação da Universidade de Brasília e do Centro Brasileiro de Estudos Portugueses em 1962. Dois anos depois, funda a Casa Paulo Dias, em Cachoeira, e será o grande idealizador do Museu do Atlântico Sul, em Salvador da Baía.
Viaja até ao Japão, onde permanece algum tempo, e encontra aí, junto dos monges de um templo xintú, grandes semelhanças da sua religiosidade com o Culto do Divino Espírito Santo, afinal a grande utopia dos portugueses e alicerce da sua teoria do Quinto Império, a vinda de uma nova Era onde a harmonia e a cultura dominariam o mundo.
De volta a Portugal após a morte de Salazar, em 1969, tratou de escrever e leccionar em diversas universidades, dirigindo o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa e, em simultâneo, desempenha o papel de consultor no Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, hoje Instituto Camões. A 3 de Abril de 1994, faleceu em Lisboa.
A vida e a obra de Agostinho da Silva não cabem em tão poucas linhas. Aqui fica apenas o registo pálido de um homem grande. Um criador de ideias, um propagador da cultura portuguesa, um unificador de povos e civilizações, um genial pensador de amanhãs, cujo alcance filosófico das suas palavras precisa ainda de ser muito estudado e aprofundado.

 

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