Movimento Associativo Empresarial – Importante alavanca na Internacionalização da Economia Portuguesa

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Paulo Nunes de Almeida
Presidente da AEP

 

Após um período de prolongada crise económica e financeira, com consequências muito negativas, Portugal tem vindo a observar um bom desempenho, que é reconhecido pelas diversas instituições internacionais.
Com uma trajetória de expansão económica ininterrupta, desde 2014, a economia portuguesa deverá continuar a apresentar, pelo menosaté 2020, um ritmo de crescimento em torno de 2%, em termos médios, continuando a beneficiar de um enquadramento económico e financeiro favorável.
Uma das importantes alterações estruturais a assinalar é, sem dúvida, aforte progressão do grau de abertura da economia portuguesa ao exterior, em particular o acréscimo notável do peso das exportações de bens e serviços no PIB–que supera atualmente os 43%, quando em 2010 era de apenas 29,9% (idêntico aoque Portugal observava por ocasião da assinatura do tratado de adesão à então Comunidade Económica Europeia, em 1985).
Para esta extraordinária evolução, em tão curto período, é de sublinhar o papel crucial do movimento associativo empresarial, que liderou grandes campanhas de internacionalização, contribuindo, de forma decisiva, para que as empresas portuguesas pudessemalcançar importantes ganhos de quota de mercado, acima do esperado, dado o elevado reconhecimento da qualidade dos seus bens e serviços nos mercados internacionais.
É de realçar que, em 2017, o comportamento mais dinâmico do que o antecipado das exportações de bens e serviços é apontado pelo Banco de Portugal como sendo o principal fator explicativo do seu erro de projeção (subestimação) da taxa crescimento do PIB.
Esta é, seguramente, a forma mais saudável da economia crescer, a acrescentar à substituição competitiva de importações, onde as Associações Empresariais têm igualmente desempenhado um papel de relevo, nomeadamente através de ações de valorização da oferta nacional.


A intervenção das Associações Empresariais nestes e noutros domínios (como é o caso da formação e qualificação dos recursos humanos, em particular dos ativos empregados) deve continuar a merecer um forte apoio das políticas públicas, não só pela sua maior proximidade com o tecido empresarial, mas também na medida em que a sua atuação sobre um conjunto alargado de empresas tende a potenciar sinergias e a assegurar uma maior eficiência e eficácia dos recursos.
A AEP sabe que na abordagem a mercados mais complexosas empresas portuguesas têm uma maior dificuldade em efetuar uma aproximação individualizada.
Nos dois últimos anos a AEP concretizou, no âmbito do seu Programa BOW – Business OntheWay, 47 ações de internacionalização em cerca de 29 mercados. Na edição em curso, 2017/2018, o BOW contempla um calendário ainda mais ambicioso, com ações em 36 mercados. Desde o ano de 1990 contabilizámos já mais de cinco centenas de ações, envolvendo um apoio a mais de seis mil empresas/participações.
A juntar a este balanço, temos vindo a implementar outras iniciativas, com propósitos distintos mas sempre com um tronco comum, o de incentivar o processo de internacionalização das empresas. Só para citar alguns exemplos, relevo o Projeto “P3I – Promoção de Iniciativas de Incentivo à Internacionalização”, com o objetivo de efetuar o diagnóstico, mapeamento de necessidades e análise de potencial de internacionalização das empresas da região Norte de Portugal, agrupando-as por grupos definidos por diferentes graus de internacionalização; o Projeto “Global Contractors Channel”, destinado a capacitar as pequenas e médias empresas para competir internacionalmente, operando em cooperação interempresarial sobre uma abordagem intersectorial onde é partilhada a ambição de exportar via Compradores Globais em três Canais: i) Retalho Alimentar; ii) Canal Contract; iii) Obras Públicas; ou ainda projetos, apoiados pelo Programa Interreg, destinados a potenciar a cooperação entre regiões transfronteiriças de Portugal e Espanha, nomeadamente Norte de Portugal e Galiza.
Continuaremos permanentemente atentos às inúmeras oportunidades nas diversas geografias, prosseguindo, dia a dia, fortemente empenhados na concretização da nossa Missão – “Defender os interesses das Empresas e oferecer Serviços que potenciem a sua Competitividade” – contribuindo para quePortugal consiga alcançar uma intensidade exportadora de pelo menos 50% num curto horizonte temporal.
Reafirmo, é seguramente a forma mais saudável da economia portuguesa crescer!

 

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