Entrevista a Ana Cristina Fernandes

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Colégio do Bom Sucesso. Um edifício centenário, encravado na freguesia de Santa Maria de Belém e considerado património nacional, abriga uma das mais antigas instituições educacionais do país. Na origem do Colégio está o Convento do Bom Sucesso, com uma história muito rica e antiga, tendo sido fundado na primeira metade do século XVII, ainda no reinado de D. Filipe III (IV de Espanha).
Devido à sua proximidade com a zona das embaixadas e residências oficiais, o Colégio do Bom Sucesso recebe filhos de diplomatas e tem alunos de varias nacionalidades. Em entrevista com Ana Cristina Fernandes, directora da instituição, a Diplomatic Magazine descobriu muitos mais aspectos interessantes de um dos Colégios mais tradicionais do país.

 

Fale-nos um pouco da história desta instituição.
É uma história muito rica e antiga que remonta ao século XVII quando começou por ser fundado aqui um convento Dominicano. Fundação esta impulsionada por uma condessa portuguesa que estava ligada à política internacional quando Portugal estava sob o domínio espanhol. A curiosidade é que, devido a um “incidente diplomático” esta condessa viabilizou um acordo entre Portugal, Espanha e Irlanda. O acordo tinha por base abrir um convento para as irmãs Dominicanas Irlandesas que eram perseguidas na altura e em troca Portugal enviava soldados para a guerra de Flandres. Ao longo dos séculos as relação entre as irmãs irlandesas, a comunidade inglesa e a proximidade da casa real portuguesa, garantiu-lhes a sobrevivência durante as perseguições e extinções das ordens religiosas.
Este convento subsistiu porque o rei consentiu que, desde que as irmãs Dominicanas se dedicassem ao ensino, elas poderiam continuar o seu trabalho. A partir do século XIX dedicam-se ao ensino de raparigas (colégio interno e externo) e a partir da revolução de 25 de abril começaram o ensino misto. Nas últimas décadas temos tido alunos de vários países, nomeadamente da China. Na sua maior parte são alunos do terceiro ciclo que se têm integrado muito bem, apresentam um grande desenvolvimento e acrescentam a troca de experiências, enriquecendo o convívio com os demais alunos, dando um contributo muito rico para aquilo que é o espírito Dominicano, que é a busca do conhecimento, que é o que nos permite ir muito mais além.

Sabemos que o Colégio participa na qualificação para o “Prémio Infante Dom Henrique”. Como é que incentiva os seus alunos a participarem?
O “Prémio infante Dom Henrique” tem características que se aproximam muito daquelas que nós entendemos que são importantes na formação dos jovens. As vertentes do prémio estão perfeitamente alinhadas com a nossa forma de estar: Cultura, desporto, solidariedade e aventura. São estas as vertentes e nós incentivamos os nossos alunos, a partir dos 14 anos (idade mínima), para concorrerem ao prémio e divulgamos o prémio também através de outros alunos que já participaram, dando o seu testemunho e incentivando os alunos a participarem.
É um prémio que dignifica a nossa instituição e tem visibilidade internacional por estar ligado ao “Duke of Edimbourg Awards”. Isto permite que estes alunos tenham uma marca, uma mais-valia que no estrangeiro os distingue quando vão para universidades estrangeiras por exemplo.

O Bom Sucesso é portanto um colégio tradicional mas com uma visão moderna e olhos postos no futuro…
Temos esta preocupação de mostrar aos nossos alunos que de facto hoje em dia é necessário ter uma visão global e uma perspectiva ampla sobre a vida. Cito por exemplo que há pouco tempo levamos alunos nossos para uma conferencia internacional o SEforALL, que aborda temas como a energia sustentável. Temos que preparar os nossos jovens para o mundo, até porque sabemos que a maior parte deles terá experiências internacionais.

Quais são as áreas basilares do programa educativo Dominicano?
O lema dos dominicanos é a verdade. Chegar até à verdade nem sempre é fácil, por isso usamos as vias do trabalho, do estudo e da investigação para incentivar os nossos alunos através da curiosidade e da investigação para obter o conhecimento. Outra vertente dos valores Dominicanos é a vertente da solidariedade e da preocupação com o contexto social. Procuramos sempre envolver os nossos alunos em actividades de cariz social e de solidariedade,  desenvolvendo ou associando-nos a iniciativas já existentes, mas sempre com o intuito de provocar esta consciência do dever e do papel social que todos nós temos na sociedade.

Numa altura em que temos o mundo com os olhos postos em Portugal, como é que vê o estado do ensino no nosso país?
Não é fácil generalizar esta pergunta. Até porque as escolas são todas muito diferentes, cada uma na sua realidade e contexto. De qualquer maneira, penso que há uma preocupação de desenvolver muitos projectos focados no empreendedorismo. O país saiu de uma fase deprimida para uma fase mais eufórica. Isto tem trazido uma elevação da autoestima e a camada jovem sente-se incentivada e mais confiante, com mais ferramentas para criar ideias novas. Vejo os jovens muito entusiasmados com o seu país. Penso que as escolas se preocupam em formar os nossos jovens com a coincidência europeia e com uma visão global.

Quais os projectos futuros para o Colégio do Bom Sucesso?
A educação é uma área muito dinâmica. As mudanças do mundo decorrem tão rápido que as escolas têm que ir atrás do mundo. As nossas crianças também impulsionam estas mudanças. Acabamos por ser mais reactivos do que proactivos. Estamos sempre a tentar projectos e novas formas dinâmicas de estar. Este ano o nosso grande tema foi a sustentabilidade, por exemplo. O desafio é olhar para os nossos alunos como nossos grandes professores e por isso todos os anos temos um tema e desenvolvemos os projectos para lhes provocar a reflexão e o pensamento, não só académico mas também como cidadãos e seres humanos.

 

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