Entrevista a Salimo Abdula

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Pode definir-nos quem é Salimo Abdula, Homem, cidadão e empresário?
Salimo Abdula é um cidadão moçambicano, que ama o seu país, a família e os amigos, e procura contribuir para o sucesso do país pela via empresarial, bem como para o desenvolvimento das pessoas, apostando em jovens. Uma pessoa muito prática e focada na solução. Alguém que acredita que o azar já nasce connosco e a sorte deve ser procurada todos os dias.

Foi eleito por unanimidade, com votos dos nove países membros, Presidente da confederação empresarial da CPLP. Porque decidiu aceitar este desafio?
Porque eu acredito na CPLP, somos uma comunidade com muito potencial, que se todos dermos o nosso contributo, podemos sonhar com um futuro risonho, uma CPLP forte, coesa e unida, sobretudo em termos económicos. Decidi abraçar este desafio para dar o meu contributo.

Na sua opinião, neste momento, qual é o peso real da CPLP em termos internacionais
Em termos económicos, temos um peso ainda abaixo daquilo que seria expectável. Não somos uma Mercosul, ASEAN ou União Europeia, mas temos condições para que com o tempo e trabalho possamos almejar esse patamar. Para tal, temos de agir em bloco.

Tem chamado a atenção, repetidamente, para a necessidade de construção de uma comunidade de livre circulação na CPLP. Ainda acredita que é possível?
Acredito, e já está a acontecer aos poucos. Veja que por exemplo, já temos acordos entre os países da CPLP para supressão ou facilitação dos vistos de entrada para cidadãos dos nossos países. Por exemplo, Moçambique e Angola foram os mais recentes, desde o passado dia 15/02/2018, entrou em vigor o acordo de isenção de visto.

Sabendo que os países estão integrados em mercados diferentes, com muitas características regionais, acha possível a criação de um mercado económico entre os membros da CPLP?
Tal como já tinha dito anteriormente, sim, acho possível e para tal é preciso trabalho árduo. Podemos integrar as nossas potencialidades e necessidades entre os países da CPLP e criar o nosso mercado.
Podemos igualmente aproveitar a presença dos nossos países em mercados diferentes, para criarmos oportunidades de negócios dos nossos países em outros mercados, isto seria, Portugal abrir portas para os países da CPLP na União Europeia, o Brasil abir as portas à Mercosul, Moçambique abrir as portas à SADC, etc. Isso fará com que os nossos países em conjunto tenham oportunidades em outros mercados, o que fortalecerá ainda mais a existência de um Mercado da CPLP.

Defende a criação de uma união bancária lusófona. Como visualiza esta iniciativa?
Sonho também com uma rota turística única que inclua todos países da CPLP e as suas belas potencialidades de sol e praia, uma vez que todos os nossos países são agraciados com sol e mar. A União de Bancos ou a existência de um Banco de Desenvolvimento da CPLP permitirá financiar e identificar projectos prioritários dentro da CPLP, e projectar investimentos que tragam emprego, partilha de know-how e outras mais valias para os nossos países.

Esta edição da Revista Diplomatic Magazine é dedicada a São Tomé e Príncipe. Que oportunidades acha que este país tem para oferecer aos empresários portugueses e do resto do continente africano?
Penso que há muitas oportunidades, mas daria particular destaque ao Turismo, Hotelaria, Sector imobiliário e Prestação de Serviços diverssos como Banca (Micro-financiamentos) e Telecomunicações.

Foi nomeado no final do ano passado cônsul honorário da Malásia em Moçambique. Como vê as relações dos países da CPLP com os países do sudoeste asiático?
Com excepção de Portugal por integrar a UE e provavelmente Timor Leste, pela sua proximidade geografica e pelo processo de adesão a ASEAN, são relações ainda pouco significantes, mas com potencial para crescer, sobretudo no que toca ao investimento. Todos sabemos da capacidade de investidores de países como a Arábia Saudita e Qatar por exemplo.

Foi o primeiro moçambicano a ser formado no Instituto de Global Ethics, nos Estados Unidos e é o fundador da Ética Moçambique. Na sua visão, qual é real importância desta temática?
A Ética Empresarial para mim é muito importante. Está ligada à cultura e a princípios de boa governação, transparência, prestação de contas.
Estamos cada vez mais envolvidos num mundo globalizado, em que todos podem fazer negócios com todos mas, as empresas e investidores sérios só fazem negócios com quem não tem nada a esconder.
Está a tornar-se cada vez mais difícil para quem não tem estes princípios, investir ou internacionalizar, ou até mesmo prestar serviços a grandes empresas ou em determinados países. Não é possível querermos promover um empresário ou uma empresa com perfil desconhecido ou obscuro, sob o risco de mancharmos a nossa imagem nos mercados em que pretendemos entrar.

Como vê o papel da Diplomacia Económica no actual contexto da internacionalização das empresas?
Certamente que é uma mais valia para a internacionalização das empresas, na medida em que deve permitir e facilitar a entrada de investimento estrangeiro nos países que precisam, permitindo que haja maior assistência aos empresários que desejam entrar noutros países e principalmente, reduzindo a burocracia, que costuma ser um grande entrave ao desenvolvimento. A Diplomacia económica deve ser o catalizador de investimento entrangeiro, deve ser a força que permita os países identificarem fragilidades nas suas relações económicas e melhorarem essas fragilidades, bem como, identifcar outros focos de melhoria, como por exemplo, deve ter papel determinante para o alcance de acordos que permitam a livre circulação de pessoas, bens e mercadorias.

 

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