Câmara de Comércio e Indústria Portugal – São Tomé e Príncipe

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Entrevista a Carlos Lisboa Nunes
Presidente da Direcção da Câmara de Comércio e Indústria Portugal – São Tomé e Príncipe

Carlos Lisboa Nunes é revisor internacional de contas com uma actuação de cerca de duas décadas em África. Com experiência na implatanção de outras Camaras de Comercio em África, acabou por criar uma relação de proximidade com os países africanos, em especial com São Tomé e Príncipe onde neste momento começa a desenvolver a Camara de Comércio e Indústria Portugal – São Tomé e Príncipe.

 

Tendo em conta o histórico de relações comerciais e institucionais entre os dois países porquê este o momento escolhido para criação da CCIPSTP?
A criação da Camara de Comercio é a realização de um sonho já antigo. Devido ao nosso background com a já existente Câmara de Comércio e Industria da Guiné Bissau considerámos oportuno, dado o contexto sócio-económico que se apresenta para os dois países. Por coincidência surge também esta viagem do nosso Presidente da República a São Tomé e embora ainda tenhamos apenas cerca de quatro meses de criação, realizámos um evento para desenvolvimento de negócio e parcerias entre os dois países que obteve bastante sucesso.

Qual o principal papel da Câmara nas relações entre os dois mercados?
Para mim, além do negócio, o importante na actuação de uma câmara é o desenvolvimento dos negócios num ambiente mais amplo, envolvendo não só a economia e os negócios mas também um olhar sobre a cultura, a educação e o desenvolvimento, que são bases para a consolidação da economia de qualquer país. A formação é muito importante e dar esta oportunidade às pessoas é também preparar o panorama socio economico para que a CCIPSP possa actuar com os melhores parceiros locais em prol do desenvolvimento e da geração de negócios.

Numa era em que proliferam as associações empresariais e consultoras  que apoiam a internacionalização das empresas nacionais, designadamente através do recurso aos financiamentos europeus, que espaço ou posicionamento pode uma camara como a CCIPSP ocupar as relações económicas bilaterais?
As relações bilaterais buscam um parâmetro de troca, de intercâmbio. Sabemos que em São Tomé os quadros são carenciados de formação para determinar estratégias e alcançarem os seus objectivos. A ideia é que, em conjunto, possamos desenvolver um grande programa de formação para além do intercâmbio de negóios. A partir daí podemos determinar sinergias e apoiar na determinação de estratégias de desenvlvimento da economia local assim como promover o diálogo de negócios com Portugal. Com a experiência que temos de África, sabemos que estes países tem sempre perspectivas cujos objectivos tem que ser trabalhados num contexto estratégico. O espaço que uma câmara ocupa neste caso é a capacidade de conjugar ligações fundamentais entre insituições dos dois lados para se implementar estas estratégias e alcançar estes objectivos.

O programa de atividades da CCIPSTP prevê a organização de missões empresariais a São Tomé e Príncipe? Que estratégias para o efeito?
Temos um programa delineado onde vamos participar num fórum empresarial incluido na visita do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa a São Tomé. Queremos chegar a muitas conclusões com este fórum e queremos estabelecer mais ligações para desenvolver projectos. Vamos estar presentes no evento Diplomatic Talks no final do mês de Fevereiro com o mesmo objectivo e ainda estamos a trabalhar no sentido de firmar acordos com associações empresariais em Portugal, com  o objectivo de criar uma feira internacional de negócios ou realizar uma parceria com uma feira já existente nos mesmos moldes.

Na sua opinião quais os pontos fortes do destino e mercado de São Tomé e Príncipe e que potencial têm as empresas nacionais num mercado de tão pequenas dimensões?
Um aspecto importante a ressaltar é a dimensão do país. Neste caso não há economias de escala. Não havendo economias de escala os preços normalmente são mais altos. Vou dar o exemplo do caso do turismo onde o desenvolvimento acaba por influenciar o mercado da construção civil. Alguém tem que construir os hotéis, por exemplo. Vejo potencial nas indústrias de maquinarias para  a agro-industria, seguramente é necessario evoluir em termos informáticos e qualificar as pessoas. A indústria pesqueira, com a zona de exploração que São Tomé e Príncipe possui, tem um potencial enorme. Numa segunda escala destaco os transportes marítimos e os serviços aeroportuarios dentro desta localização geoestratégica de São Tomé, onde vemos o enorme potencial do país para ser um polo estratégico de negcios com outros países limitrofes.

Quais as ambições e prioridades estratégicas da CCIPSTP?
De acordo com os preceitos da nossa fundação e os objectivos da CCIPSTP, a nossa maior ambição é o desenvolvimento do país em todos os aspectos e queremos ter um papel fundamental neste processo. As nossas prioridades estratégicas passam por desenvolver infra-estruturas indispensáveis ao desenvolvimento. As nossas prioridades passam por ajudar os nossos associados a desenvolver os negócios entre os dois países e procurar sempre soluções e vias de acesso para este desenvolvimento. Queremos aumentar as estatísticas de importação e exportação e queremos ser um ponto forte de apoio para os empresários dos dois países nestes processos, criando condições para que estas relações sejam de sucesso.

 

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