Roselyn Silva

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Roselyn Silva nasceu em São Tomé e Príncipe e é uma jovem e bem sucedida estilista,vive em Portugal desde os 4 anos de idade e é já uma designer de moda consolidada no mercado português. Define-se como uma sonhadora, uma menina que sempre acreditou nos seus sonhos e uma mulher que enfrentou barreiras para alcançar estes sonhos. Afirma que a marca que leva o seu nome é um reflexo da sua personalidade e uma das suas maiores satisfações é quando um cliente reconhece as suas peças pelo seu estilo e design.

 

A marca Roselin Silva está hoje perfeitamente implantada em Portugal, fale-nos um pouco do seu percurso até aqui.
Este projecto começou por brincadeira. Desde muito nova sempre fui apaixonada pelos tecidos africanos. Gosto muito das cores e dos padrões étnicos. Em 2013 criei uma página de fãs no Facebook com as peças que eu desenhava. A partir daí comecei a perceber que havia mais gente com o mesmo gosto que eu e que apreciava este estilo étnico com um corte europeu e dentro das tendências de moda. Juntei esta influência à inspiração das cores de São Tomé e príncipe que sempre foram o ponto forte das minhas criações.
Venho da área de arquitectura e engenharia civil e trabalhei nesta área durante vários anos. Comecei por vender peças inicialmente às minhas colegas de trabalho e sem me aperceber acabei por me posicionar num target medio alto, pois os tecidos com a qualidade que eu trabalho acabam por ser mais exclusivos, o que diferencia logo para quem adquire as peças.
Continuei a trabalhar neste conceito, até que recebi um convite para criar uma jaleca de cozinha com motivos africanos para uma amiga que é chef de cozinha em Londres, no âmbito de um evento temático.
Deste avento acabei por ser convidada para realizar um desfile em Londres para o dia da mulher africana. Desafio que aceitei com medo e com uma boa dose de loucura, mas que correu bem. Foi a primeira vez que efectivamente tive contacto real com o mundo da moda e este passo acabou por mudar a minha vida completamente e assim nasceu a minha marca.

Em 2015 participou do programa Shark Tank, onde obteve o apoio de investidores. Que importancia teve para si este processo?
Eu sabia que havia mercado para as minhas peças. Aventurei-me e abri um pequeno atelier no Areeiro em Lisboa. Mas uma coisa é sermos criativos e outra é sermos empresarios.  Eu percebia que uma parte não acompanhava a outra e como empresária faltava-me bases estruturais de planeamento e gestão.  A minha família incentivou-me a participar no programa e confesso que cheguei lá um bocado cética. Foi ali que tive a conciencia real de que a minha vida poderia mudar ali. Felizmente consegui o apoio de dois sócios investidores do programa. A partir daí nunca mais parei. Acredito que não há sorte mas sim trabalho e sou uma privilegiada neste sentido, passei a conhecer mais profundamente o mercado da moda, busquei formação, especializei-me e o meu lado racional de engenharia deu-me bases analíticas para desenhar a minha estratégia de projecção. O processo ajudou-me a quebrar um paradigma sobre as peças etnicas e a inspiração africana na moda européia e usar o tecido africano no mercado de luxo é um feito que deixa-me muito orgulhosa.

Os próximos desafios já estão em marcha?
Os próximos passos apontam para o mercado internacional. Com a venda online chego a todos os países, já tenho peças à venda em lojas fora de Portugal, nomeadamente em África e no norte da Europa. A projecção mediática veio ajudar muito e hoje em dia sou apresentadora de um programa de moda na SIC internacional, o que também é uma responsabilidade acrescida mas que é uma grande realização pessoal.

Em Julho do ano passado participou no São Tomé Fashion Week. Como sentiu esta experiência?
Acima de tudo a palavra que define esta experiência é orgulho. Posso dizer de coração cheio que sou de São Tomé e Príncipe. Sinto que consegui ajudar a quebrar preconceitos e a por o meu país no mapa da moda mundial. Senti que fui muito acarinhada pelo meu povo e foi indescritível.

Que impacto teve a realização do Fashion Week em São Tomé na sua opnião?
Em primeiro lugar penso que foi um passo grande. Em São Tomé já se começa a acompanhar o que acontece na moda nos outros países, temos em São Tomé muitos criativos e pesoas com muito talento. Sabemos que o turismo é um ponto forte na economia e a realização do fashion week é impactante não só para mostrar ao mundo o que existe na moda de São Tomé, como também para ajudar a movimentar a economia e o turismo nacional.

Também foi homenageada nos prémios da lusofonia. Como foi a experiência de receber esta dintinção?
Sou muito grata sempre por tudo. Não imaginava tal coisa a tão curto prazo. As coisas foram acontecendo muito rápido e o meu sentimento é de gratidão. A minha forma de agradecer é continuar a trabalhar e esforçar-me para partilhar a minha experiência. Deixamos o ego de parte e pensamos que todos os esforços valeram a pena, pois nem sempre as coisas são faceis. Se me dinstinguem com estes prémios é porque estão atentos ao que eu faço e isso para mim é motivo de gratidão. Os prémios servem para nos incentivar e dar forças para continuar o caminho.

Que visão tem do São Tomé e Príncipe de hoje?
Tenho uma visão positiva. Independentemente das questões socio-económicas, a minha opinião é de que hoje existe um São Tomé que quer mudanças e está atendo. Apesar de sermos um povo um pouco acomodado, eu noto que há vontade de que haja uma maior abertura para o mundo. A era digital trouxe estas mudanças, afinal viver numa ilha tem as suas limitações e agora as pessoas começam a ter uma visão diferente do mundo e também o mundo começa a ver São Tomé com outros olhos. Penso que é um excelente cartão de visita para começar a conhecer África. É um pais rejuvenescido, alegre e desprendido. A maior riqueza de São Tomé está nas paisagens, na gastronomia, no clima, mas principalmente nas suas gentes. O povo de São Tomé é o nosso maior activo e já se consegue ver uma vontade política coordenada para trabalhar as infra estruturas que permitam que o país continue esta vaga de crescimento. É um paraíso na terra.

 

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