Portugal High Tech. Ser ou não ser

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Muito foi escrito sobre a Web Summit, startups e, em particular, Lisboa como um novo centro tecnológico importante na Europa. A maioria das pessoas, suponho, deve ficar confusa com a coisa toda e muitos se perguntando se isso é real. Portugal é realmente tão bom em tecnologia? A Web Summit é realmente decisiva para o país? Isso é apenas marketing ou há algo importante acontecendo no país e eu não sou parte disso? Bem, a resposta não é fácil. Vamos começar com o básico.
O hype só é justificado se efetivamente tecnologias e empresas de classe mundial estiverem a nascer em Portugal. Não se trata de eventos, não de Likes no Facebook ou de capas em revistas. Trata-se de inovação real criada pelas empresas. Onde estamos? Ao longo dos últimos 10 anos, 10 empresas alcançaram rounds de investimento da série A e acima (aumentos de capital de mais de 5 milhões de euros) com empresas de capital de risco globais (e investidores locais, como nós, no mesmo round na maioria).
Esta é uma boa métrica para entender se criamos tecnologia real porque grandes startups com tecnologia real sempre são financiados.Aqueles que não recebem financiamento não é porque não conseguem encontrar  investidores na Série A, é porque não são bons o suficiente para atrair esses investidores, nacionais ou internacionais.
E quem são essas empresas? Farfetch, Outsystems, Feedzai, Talkdesk, Veniam, Uniplaces, Seedrs, Unbabel, Aptoide e Codacy. Mais estão a chegar. Mas para colocar as coisas em perspectiva, a França teve 11 durante o mês de junho deste ano e o Reino Unido tinha 22 série A nesse mesmo mês. Então, sim, temos algo em andamento promissor, mas não vamos ficar excitados, porque ainda não estamos a produzir quantidade.
Há certamente quantidade suficiente para sustentar um ecossistema e investidores profissionais, como a Indico Capital Partners, mas Lisboa não é Londres, Paris, Berlim ou uma capital escandinava. No entanto, somos incrivelmente melhores do que hà 5 anos atrás, quando não tinhamos um ecossistema que valesse a pena mencionar, então devemos celebrar isso.Agora, e o Web Summit. As pessoas fora da indústria perguntam-me: “É realmente tão bom e tão especial?”. A resposta curta é sim.
O benefício económico para Lisboa é óbvio em termos de todas as indústrias associadas a qualquer evento desta dimensão. Existem outros grandes eventos em Lisboa, outros congressos e, à partida devemos ter todos eles. Mas, é claro, existem outros efeitos derivados da Web Summit. Em particular, a credibilidade que empresta a Lisboa como centro de tecnologia, mas sobretudo uma grande oportunidade para empresários, gerentes, investidores, funcionários governamentais e estudantes locais compreenderem um pouco mais profundamente a profunda revolução que a tecnologia traz à nossa vida pessoal e profissional.
É ótimo ter a Web Summit em Lisboa. Não vai resolver os problemas e os desafios do país, mas ajuda a curto prazo e a longo prazo. Novamente, não se trata do lado do marketing do evento, mas sim o facto de Portugal estar integrado numa onda global e não devemos perder essa revolução, pois perdemos as anteriores.

Stephan de Moraes
Managing General Partner – Indico capital Partners

 

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