Web Summit, Stephen Hawking, a Inteligência Artificial e o que significa ser humano

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Pelo segundo ano consecutivo, Portugal recebeu em Lisboa a maior conferência de tecnologia, inovação e empreendedorismo do mundo.
Criada por Paddy Cosgrave em 2010, a Web Summit é o lar da tecnologia, da robótica e de todos os temas onde é notável a influência da era digital. Música, saúde e a indústria automóvel são alguns dos mais recorrentes. Para muitas start-ups, esta conferência representa uma rampa de lançamento, facilitando o reconhecimento mediático e o encontro com investidores.
Considerando o peso cada vez maior que a tecnologia exerce na sociedade atual, não é surpresa que este ano a Web Summit tenha sido recebida com particular interesse e entusiasmo – com mais participações do que nunca, esgotou os quase 60.000 bilhetes disponíveis. Entre representantes de empresas, empreendedores de sucesso, caras conhecidas do mundo da política, celebridades e artistas, esta edição contou com a presença de mais de 1.200 oradores. As atenções estiveram viradas para personalidades como Al Gore, António Guterres, Brad Smith e Mike Massimino (autor do primeiro tweet a ser publicado a partir do espaço).
O grande destaque deste ano, passando por “carros voadores” e Mercedes autónomos, foi a inteligência artificial. Quase omnipresente, a inteligência artificial é o caminho para o futuro, segundo Stephen Hawking. O físico de renome não esteve presente fisicamente, mas não deixou que o evento lhe passasse ao lado, surpreendendo os visitantes com uma palestra em direto. Ao abrir a discussão sobre o tema, afirmou que a inteligência artificial pode vir a representar a humanidade e que talvez seja a ferramenta mais poderosa para a solução de problemas como a pobreza. Portugal contribuiu neste campo com a subida ao palco de Nuno Sebastião, fundador da empresa portuguesa Feedzai, que desenvolveu um software para detetar fraudes em transações eletrónicas através de inteligência artificial. Estiveram também em palco os robots Professor Einstein e Sophia, a primeira inteligência artificial a receber um estatuto de cidadã. Os humanóides Einstein e a agora cidadã da Arábia Saudita especularam sobre o que significa ser humano, tendo um deles admitido que deseja criar ligações emocionais e afirmado que “o medo do progresso tecnológico reflete o medo das pessoas em si mesmas”.
O Pitch, concurso para eleger e financiar a melhor start-up, deu, pela primeira vez este ano, oportunidade ao público de participar da votação. A portuguesa Glartek, criada para facilitar e reduzir custos de tarefas de manutenção na indústria, ficou-se pelas semifinais, e a vencedora dos 50.000 euros, eleita tanto pelo público como pelo júri, foi Lifeina, uma start-up francesa que faz transporte e armazenamento de medicação.
O Primeiro-ministro Português, António Costa, aproveitou para agradecer aos visitantes estrangeiros. “Estamos sempre à vossa espera, como turistas, empreendedores ou amigos”. Se tudo correr dentro do que está previsto, Portugal pode voltar a ser anfitrião da Web Summit até 2020.

Adriana Dourado

 

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