O Futuro de uma Língua em Viagem

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“O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.”

A frase em epígrafe pertence ao filósofo grego Protágoras (481– 411 AC). Na maior parte das vezes é citada apenas pelo seu início, ou seja: “O homem é a medida de todas as coisas”. De facto, o homem é mesmo a medida de todas as coisas. Exceto daquelas que o transcendem…
Porque fui buscar esta frase numa crónica ligada à Lusofonia? Bem, porque a lusofonia terá a medida que os cidadãos da lusofonia quiserem e puderem realizar. Tal como, antes disso, começará por ter a medida do que sonharem.
Em cada país de expressão oficial portuguesa, os respetivos lideres (coadjuvados pelas suas equipas) encontrarão a medida do que querem outorgar ao ideal da lusofonia. Oxalá não seja de visões curtas essa medida…
Por detrás de uma língua está uma ancestralidade, uma cultura, por vezes uma civilização. É por isso que todos os cidadãos do mundo lusófono devem olhar e sentir a língua portuguesa como o elo de ligação primordial ao universo do mundo global.Os líderes políticos dos países de expressão portuguesa têm de refletir acerca do que desejam para a língua portuguesa. Claro que não podem esquecer as línguas maternas e/ou os crioulos (quando for o caso). As línguas maternas assumem a identidade ancestral como os crioulos assumem o diálogo direto entre a língua portuguesa chegada aos seus territórios em tempos recuados e os seus hábitos de comunicação anterior falada.
Não sei se alguém duvida da importância estratégica da globalização da lusofonia (isto é, da globalização da língua portuguesa). Aos que duvidam, direi que há erros que uma vez cometidos demoram muitos anos e demasiadas gerações a serem corrigidos.
Em cada país lusófono as políticas para a língua portuguesa são vitais. E devem ser encaradas de um modo dúplice: por um lado, defendendo a relevância da língua portuguesa numa perspetiva de interligação com as línguas maternas e os crioulos; por outro, defendendo o cariz internacional global da língua portuguesa no mundo. É que a língua portuguesa está presente em todos os continentes!
Parafraseando as palavras de Protágoras direi que “O homem lusófono é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. No que à língua diz respeito é preciso ter muito cuidado com as coisas que são e as coisas que não sãono concerto interno de cada nação lusófona e no concerto dos diferentes relacionamentos de índole internacional.
Desejo que a clarividência das mulheres e dos homens lusófonos ilumine os tempos futuros. Sem essa clarividência não haverá competitividade da língua portuguesa. É preciso não esquecer que, desde os seus primórdios, a língua portuguesa é uma língua em viagem. Tornou-se grande no mundo porque soube viajar. E é o que tem de continuar a fazer. A língua portuguesa nunca poderá deixar de viajar!

Mário Máximo
Escritor e Gestor de Assuntos da Lusofonia

 

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